25 de jul de 2012

Multas em condomínios devem seguir convenção

Por Rodrigo Karpat
A aplicação de multa nos condomínios, normalmente, é a última instância de um foco de discórdia e confusões em um condomínio. Muitas vezes é a única forma de coibir abusos e manter a ordem e a paz entre os moradores. Entre os problemas mais comuns estão: estacionamento de veículos em local não permitido, barulhos, reformas, festas, vazamentos, entre outros atritos do cotidiano.

Em casos polêmicos no condomínio deve prevalecer o bom senso. A vida em comunidade nos condomínios é regulamentada pela Convenção de Condomínio e Regimento Interno, que estabelece regras claras e objetivas sobre a boa convivência da vida em coletividade.

Alguns preceitos precisam ficar claros. A multa dever ser aplicada com base nos ditames estabelecidos pela convenção e regimento interno do condomínio. O artigo 1.337, parágrafo único, do Código Civil, menciona a aplicabilidade da multa “ao condômino ou possuidor” pode ser locatário, ocupante, usufrutuário, entre outros. Assim, a responsabilidade da multa, que pareceria exclusivamente vinculada a unidade, passa a esfera do infrator de forma solidária.

No caso de dívida proveniente de ato ilícito —e nesse rótulo se insere a infração à lei ou ao regulamento— responde o autor da ofensa e, solidariamente, o responsável civil, conforme disposto no artigo 942 do Código Civil.

O TJ-SP vem decidindo nesse sentido. Observamos em acórdão recente que a 36ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo decidiu que o débito que se atribui à unidade responde o condômino. Como fundamento, o artigo 942 da lei civil que autoriza, ademais, reconhecimento de solidariedade entre o condômino e o infrator a quem ele deu posse do imóvel.

De qualquer forma, o que causa muita dúvida ainda é como provar a ocorrência da multa. O ideal é que sempre exista na portaria um livro de ocorrências a fim de documentar o ocorrido. Sendo iminente o problema, sugere-se que a presença de duas testemunhas. Podem ser moradores, funcionários ou membros do corpo diretivo. Uma segunda opção é documentar a reclamação por e-mail ao síndico ou à administradora. No caso da ocorrência ter sido constatada pelo síndico ou funcionários do condomínio, o ideal é que também seja relatada no livro.

Se existir possibilidade de verificação imediata, como no caso de barulho entre unidades e uso inadequado de salão de festas, sugere-se que a convocação de duas testemunhas do fato, podendo entre elas ser um funcionário do condomínio ou o síndico. De preferência, esta constatação deve ser registrada em livro. Para danos em salões de festas, ingresso de carros em número maior que o permitido, a fotografia com data ou cópia da gravação do circuito interno são essenciais.

Porém, algumas convenções exigem a notificação antes da aplicação da multa, daí a importância da leitura prévia dos dispositivos. O tema se torna mais polêmico e preocupante quando o regimento interno e a convenção não preveem as formas de punição ou não estipulam multas em moeda corrente. Inexistindo procedimento pré-estipulado na convenção ou regimento interno, sugestão é que o condomínio leve a questão a assembleia para aprovar o regramento ou apenas atualizá-lo. Mesmo que o quorum seja insuficiente para alterar a convenção, o procedimento pode ser aprovado, uma vez que servirá de base para punir infrações cometidas e para futura alteração da convenção.

Em qualquer caso, deve ser concedido ao condômino o direito de defesa com prazo razoável. O procedimento de conceder o direito de defesa ao condômino infrator e a ratificação das multas em assembleia, mesmo em convenções que não estipulam este procedimento, tem sido fator determinante para que no caso do condômino não pagar a multa a mesma possa ser cobrada judicialmente.
http://www.conjur.com.br

Não Confunda a Função de Porteiro

Por Luiz Fernando de Queiroz
Em reclamatória trabalhista movida contra um condomínio discute-se a função do porteiro e do vigilante. Dúvida sobre o assunto foi encaminhada ao TeleCondo, que respondeu nos seguintes termos (resumimos).
Não se pode confundir a função de porteiro com a função de vigia ou vigilante. Porteiro é o funcionário que deve controlar o ingresso de pessoas, bens, correspondência no edifício, isto é, limita-se a observar e monitorar a entrada, não sendo responsável pela segurança do patrimônio. O vigia exerce muitas vezes a atividade de segurança, mas não pode ser incluído na categoria de vigilante, pois nesta há requisitos específicos.

A atividade de vigilante exige preparo para enfrentar situações de perigo, de como agir ao verificar irregularidades no local, o ingresso de pessoas estranhas, proteger o patrimônio, noções de segurança pessoal. A Lei 7.102/83, que dispõe sobre segurança para estabelecimentos financeiros, estabelece normas para constituição e funcionamento de empresas particulares que exploram serviços de vigilância e de transporte de valores, prevendo entre os requisitos para o exercício da profissão de vigilante “ter instrução correspondente à quarta série do primeiro grau” e “ter sido aprovado em curso de formação de vigilante” (art. 16, incisos III e IV).

O exercício da profissão de vigilante requer também “prévio registro na Delegacia Regional do Trabalho” (art. 17). Também era assegurado ao vigilante “porte de arma, quando em serviço” (art. 19), este revogado pelo Estatuto do Desarmamento.
Ressalta o parecer do TeleCondo que a função de vigilante não se confunde com a de vigia, muito menos com a de porteiro. Cita inúmeros julgados a respeito. A título de ilustração, reproduzimos o cerne de algumas decisões:

1 –  Empregado que atua como porteiro, quando escalado para turno diurno, embora armado, não é vigilante, mas vigia. (TST, RR 341838)
2 – A jurisprudência, ao interpretar as Leis 7.102/83 e 8.863/94, tem estabelecido diferenças quanto às duas atividades de vigilante e vigia (nesta última, incluídas as funções de guarda-noite e porteiro). O vigia exerce suas tarefas sem as exigências legais previstas nas Leis supracitadas, não se lhe exigindo escolaridade mínima, curso próprio, uso de uniforme, dentre outros, desempenhando tão-somente atribuição de fiscalização no local de trabalho.” (TRT 18ª Região, RO0740/2001)
3 –  O porteiro limita-se a observar os fatos, não estando obrigado à prestação de outros serviços, enquanto que os vigilantes exercem funções mais complexas, em face das responsabilidades e do preparo a que se submetem, sendo exigida, deles, a defesa policial, visando à proteção de bens.”

Lembra, ainda, o TeleCondo que se o porteiro também exercer a função de vigia (ou vigilante), tendo que afastar-se da portaria, o condomínio ficará vulnerável à entrada de pessoas estranhas no edifício, donde se conclui que são incompatíveis as duas funções. Situações fáticas poderão levar a Justiça do Trabalho a enquadrar o porteiro na categoria de vigilante (v.g. TRT 2ª Região, RO 2000012735), ou não (TRT 9ª Região, RO 113745-2000 e TRT 3ª Região, RO 4024/02).
Como medida preventiva, recomendamos que o síndico não atribua nem exija do porteiro mais do que o desempenho precípuo das atividades inerentes à função.

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21 de jul de 2012

Senac criar cursos para administração de condomínios

Estão disponíveis as seguintes capacitações: Administração, Técnicas de limpeza e conservação de ambientes, técnicas de porteiro e técnicas de segurança

Thaís Ramalho
A cada dia, é crescente a procura pela moradia em condomínios. Só na capital, o cenário compreende aproximadamente 100 empreendimentos . Tanto na atuação como síndico ou conservação do ambiente, os cuidados precisam ser redobrados.

Com esta intenção, o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) do Tocantins, lança cursos de Administração de Condomínios, Técnicas de Porteiro, Técnicas de Limpeza e Conservação de Ambientes e Técnicas de Segurança em Condomínio.

Ao CT a coordenadora de gestão e negócios do Senac, Débora Zillner disse que, em razão do crescente mercado da construção civil, é necessária a capacitação na área. Segundo ela, a previsão é que, nos próximos três anos, Palmas receba mais 40 condomínios.

“Muita gente não tem visão sistêmica na gestão de condomínios e os moradores não entendem a necessidade de se ter regras. Lançamos esses cursos porque entendemos a complexidade que isso tem. Morar com um grande número de pessoas é bastante delicado”, disse a coordenadora.

Além de entender as regras do local onde mora, é importante também que os moradores saibam escolher bem o síndico. Para Débora, conhecer o histórico profissional que vai administrar o local é essencial.

“É como se fosse uma contratação. Os moradores devem escolher alguém que tenha um perfil que supra as necessidades e que já tenha experiência em administração”, afirmou.

Segundo a assessoria de imprensa do Senac, as inscrições podem ser feitas na Central de Atendimento do Senac Palmas. É preciso apresentar os seguintes documentos para fazer a inscrição: CPF, RG e comprovante de endereço. Outras informações: 3219-1600 ou www.to.senac.br.

Confira os cursos disponíveis:

Administração de condomínios
Com investimento de R$ 115,00 (cento e quinze reais), o curso de Administração de Condomínios acontece de 20 a 31 de agosto, com aulas das 19 às 22 horas. Todo material didático é fornecido gratuitamente.

No curso, os alunos irão trabalhar temas como Legislação do Condomínio (Lei 4591 de 16 de dezembro de 1964), O Código Civil para Condomínios, Legislação do Síndico, Assembleias, Solicitação de Orçamentos, Balancetes Condominiais, Como e quando cobrar os inadimplentes; Manutenção e Inspeções Periódicas, Lei do Inquilinato, entre outros assuntos.

Técnicas de limpeza e conservação de ambientes
Este curso oferece duas turmas. A primeira com aulas das 14 às 18 horas, de 27 a 31 de agosto e a segunda turma tem aulas das 8 às 12 horas, de 10 a 14 de setembro. O investimento é de R$75,00 (setenta e cinco reais) por aluno.

No programa do curso, Relações Interpessoais no Trabalho, Ética e Trabalho, Segurança no trabalho, Equipamentos e produtos de limpeza e conservação, Reciclagem de Lixo, Limpezas Periódicas e Controle de Qualidade na Limpeza.

Técnicas de porteiro
De 10 a 21 de setembro acontece o curso de Técnicas de Porteiro. As aulas estão programadas para o horário das 14 às 18 horas, sendo o investimento de R$75,00 (setenta e cinco reais) por aluno.

Os alunos irão trabalhar temas como Perfil profissional, Apresentação pessoal, Relações Interpessoais no Trabalho, Ética e Trabalho, Segurança no trabalho, Sigilo profissional, Técnicas de comunicação e abordagem do visitante, Técnicas de segurança e Sistemas de segurança.

Técnicas de segurança em condomínios
Já este curso acontece de 24 de setembro a 04 de outubro, das 19 às 22 horas, com investimento de R$ 120,00 (cento e vinte reais) por aluno.

Na pauta, Controle de entrada de pedestres e veículos, Controle de Acesso de Pedestres, Veículos e Materiais, Técnicas de Observação e Descrição, Sistemas de controle de moradores, visitantes, funcionários, prestadores de serviço, Proteção de entradas não permitidas, Controle de entradas permitidas, Prevenção de sabotagem, Assaltos, Procedimentos em Casos de Emergência, entre outros.
Fonte:http://www.portalct.com.br

17 de jul de 2012

O pára-raio de seu condominio esta com a manutenção em ordem?

A Falta de manutenção do pára -raios pode custar vidas
Um dos sérios problemas existentes nos condomínios, despercebido pelo síndico ou seus responsáveis, ocorre no Sistema de Proteção Contra Descargas Atmosféricas – SPDA -, Pára-Raio.

A partir deste mês, com as chuvas, os Pára-raios devem estar em perfeito funcionamento para receber os surtos de raios e impedir que ocorram graves prejuízos materiais e pessoais, muitas vezes fatais, que implicam na responsabilidade civil e criminal do síndico.

Aparentemente simples, o Pára-raio é um equipamento complexo. Tanto para a sua instalação ou manutenção, exige profissionais habilitados e mão de obra especializada.

A instalação do Pára-raio depende de um projeto para indicar o dimensionamento necessário para garantir a proteção adequada.A eficácia do projeto está sujeita a sua correta execução.

Franklin foi o primeiro Pára-raio instalado nos condomínios, seguido pelo Pára-raio Radioativo, Gaiola de Faraday e, atualmente, utiliza-se a própria estrutura do prédio.

Os surtos de raios são caracterizados como pulsos de altíssima freqüência. O Pára-raio deve estar apto a absorver essas descargas elétricas.

Portanto, todos os componentes do Pára-raio devem estar em perfeito funcionamento : o Sistema de Captores, Descidas e o Aterramento

A legislação é abrangente e minuciosa.

Para ilidir a responsabilidade, anualmente ou quando desconfiar que o sistema não esteja atuante, deve-se verificar as conexões, emendas, a fixação dos condutores, procedendo-se as medições elétricas.

A cada três anos, examinar a oxidação dos condutores, substituindo os que estiverem muito oxidados e/ou realizando uma limpeza, principalmente, nas conexões e emendas.

Dúvidas que devem ser esclarecidas :

1ª – O Projeto do Pára-raio do meu prédio foi dimensionado adequadamente ?
2ª – O Projeto foi corretamente executado ?
3ª – O Projeto foi atualizado ?
4ª – O Sistema está atuante e foram feitas as revisões anuais ?
5ª – O Condomínio possui Laudo Técnico de Conformidade ? *

PÁRA – RAIO RADIOATIVO

O princípio técnico original do captor radioativo é ionizar o ar e provocar um canal de fácil descida para o raio. Este princípio é questionável, porque, as emissões alfa não são suficientes para provocar este fenômeno, não ficando tecnicamente comprovada a sua eficácia. Além disso, apresentam graves indícios de corrosão mecânica, estando sujeitos a vazamento do material radioativo.

A Resolução n.º 4, de 19 de abril de 1989, da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), visando também evitar a proliferação e uso de substâncias radioativas, proibiu os pára-raios radioativos.

Os ainda instalados, tratando-se de rejeitos radioativos, devem ser desativados e obrigatoriamente depositados no CNEN.

A retirada do Pára-raio, entretanto, deve seguir um padrão estabelecido pelo CNEN, em virtude do alto risco de containação radioativa.
* Dr. Alfredo Mimessi Junior, advogado, professor, jurista e cientista social,

Fonte: Abracond

12 de jul de 2012

Prédio saudável, moradores seguros


Cuidar da manutenção do edifício, em todos os setores, deve ser uma das principais diretrizes de síndicos e administradores

Em tempos de crise é preciso apertar os gastos e estabelecer prioridades. Agir com cautela é fundamental em todos os segmentos da economia. E os condomínios não ficam de fora. Por isso, ao pensar em manutenção, o síndico e a assembleia devem analisar bem a necessidade da obra, pesquisar preços, planejar. Para dar uma forcinha, a revista Condomínio etc. ouviu especialistas em manutenção e traz, nesta reportagem, um guia para manter a saúde do prédio em dia, em todas as áreas. Afinal, um edifício bem cuidado valoriza o patrimônio dos moradores e, o mais importante: mantém as pessoas protegidas.

Para o engenheiro civil e consultor do Secovi Rio, Bruno Rizzo, especializado em estruturas, é preciso dar mais atenção aos elementos que sustentam a edificação. Pilares (elementos verticais) e vigas (elementos horizontais) são os mais importantes, já que deles depende a estabilidade da construção. As lajes não ficam de fora. “O síndico precisa estar atento ao aparecimento de rachaduras e manchas castanho-avermelhadas”, alerta Rizzo. Vale lembrar que o tempo de vida útil de aço e concreto armado vai de cinco a 50 anos.

Observação constante é fundamental. O conserto de um pilar, que pode ter até 600 toneladas de carga, pode custar mais de R$ 30 mil. E haja cota extra. Segundo o especialista do Secovi Rio, os principais causadores de danos nas edificações são, além da utilização de materiais de baixa qualidade, a poluição e a maresia. Estes acarretam em oxidação do aço que, expandido, estoura o concreto e gera as rachaduras nocivas. O resultado são as trincas, primeiros sinais de corrosão.

Ao contratar uma empresa especializada, é importante observar se ela está devidamente registrada no Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Crea-RJ), possui alvará de funcionamento e CNPJ. Os profissionais envolvidos também precisam ser qualificados. Quem dá a dica é o engenheiro civil Celso Camilo, da Camilo Engenharia, uma das mais atuantes no segmento de manutenção predial no Rio de Janeiro. Além disso, os profissionais que atuam nas obras têm que se comunicar de forma ágil. “Nossos técnicos estão sempre em contato através de um sistema de rádio digital”, completa Camilo.

Muito além da aparência: cuidando da fachada

Embora o “esqueleto” do prédio seja fundamental para mantê-lo de pé, os revestimentos externos também devem ser observados. Além de proteger a estrutura, eles funcionam como uma capa - sua má conservação pode causar acidentes com moradores e transeuntes. Nesse quesito, algo não vai bem quando se observam pintura manchada, queda de reboco, estufamento, rachaduras etc. O ideal é que a manutenção desses itens seja feita de cinco em cinco anos.

Em pequenas edificações, as inspeções de fachada podem ser realizadas por uma comissão de moradores uma vez por ano ou, no máximo, a cada dois anos. Esquadrias externas danificadas também podem dar dor de cabeça, já que oferecem risco de queda de janelas e vidro. Por isso, síndicos ou zeladores devem observar as dobradiças regularmente.
Fonte: http://www.condominioeetc.com.br

2 de jul de 2012

Conviva em harmonia com seus vizinhos

Evite problemas em condôminos utilizando doses de bom humor, paciência e respeito
São Paulo -  “As pessoas são muito difíceis”, sentencia o síndico profissional Renato Daniel Tichauer. Para ele, a origem da maioria dos problemas de convivência em prédios e condomínios é complexa e difícil de mudar da noite para o dia. Bom senso e bons modos ainda são a receita básica para evitar dores de cabeça que podem até virar onerosos processos judiciais.
As principais reclamações de moradores de apartamentos

Barulho, desrespeito com funcionários, estacionamento impróprio na garagem, animais de estimação mal-educados, convivência com crianças e adolescentes na área de lazer são as principais reclamações da maioria dos moradores.

“As pessoas não entendem que morar em condomínio é dividir a propriedade”, lembra Roseli Schwartz, autora de “Revolucionando o Condomínio”, da editora Saraiva. “Respeito pelo o outro é fundamental”, reforça.

Para que serve um síndico?
Tichauer, que trabalha há dez anos como síndico – cargo que ainda não é reconhecido como profissão – hoje cuida de cinco condomínios das mais diversas classes. “Os problemas se repetem”, constata o economista, de 56 anos, que “sabe um pouco de cada coisa”, tem muito jogo de cintura, “sempre” cumpre as regras, já recebeu ameaça de morte de um morador e teve de intervir em uma tentativa de suicídio. Sua estratégia para administrar conflitos: conversar primeiro, notificar depois e multar apenas em último caso.

“O síndico é um facilitador social. Tem que ser uma pessoa com perfil conciliatório”, afirma o advogado Alexandre Macedo Marques, diretor de ensino da Assosíndicos (Associação dos Síndicos de Condomínios Residenciais e Comerciais de São Paulo).

Sem estatuto e regras claras não é possível viver em paz
Antes mesmo de uma reclamação chegar ao síndico, no entanto, o ideal é que os envolvidos tentem conversar e, nessa hora, as normas do prédio são o melhor guia para evitar brigas.

“Um condomínio bem administrado tem um estatuto detalhado que deve ser conhecido e obedecido por todos”, ensina a consultora de etiqueta Ligia Marques, autora de “Etiqueta e Marketing Pessoal”, “Etiqueta 3.0” entre outros.

O apartamento de cima está com vazamento e tem goteira no seu? O cachorro do 302 late muito à noite? O lixo da vizinha ficou no corredor do andar? Essas situações têm como ser gerenciadas com a ajuda do estatuto do prédio e de doses generosas de diálogo. Às vezes, a goteira é só um entupimento sem maiores consequências, o animal de estimação pode estar sem exercício físico e/ou precisando de um pouco mais de atenção e a vizinha é moradora nova e não sabia onde colocar o lixo.
Política de boa vizinhança
“Não é à toa que política de boa vizinhança tem esse nome. Para viver bem em um prédio é fundamental que existam políticas claras e regras bem definidas. Ao mesmo tempo, essa convivência é um tremendo exercício de flexibilização”, avisa a especialista em etiqueta Cláudia Matarazzo, autora de “Etiqueta sem frescuras”, da editora Planeta.

Deveria ser simples, não é? Para algumas pessoas, no entanto, não é. Roseli conta o caso de uma moradora que foi parar na Justiça por causa de uma goteira. O pinga-pinga constante, decorrente de um problema no apartamento de cima, começou a deixá-la perturbada, a ponto de ter que tomar medicamento para dormir. O problema era trivial, a troca da junta do ralo do banheiro já resolveria o transtorno, mas a moradora do apartamento com vazamento recusava-se a permitir a entrada no local. Depois de comprovar judicialmente os custos que teve com tratamentos psiquiátricos, pediu indenização por danos morais e ganhou a causa. “Uma coisa que era simples de resolver virou uma problema enorme totalmente sem necessidade”, diz Roseli.

Confira os 20 conselhos básicos para viver em paz num apartamento:

Para começo de conversa, cumprimente sempre seus vizinhos. Seja simpático e gentil. Isso não custa nada e vai garantir sua boa imagem perante todos;

Antes de comprar ou alugar um imóvel, conheça as regras que regem o condomínio. Lembre-se que ainda que você não concorde com algumas delas, terá que obedecê-las porque elas foram decididas pela maioria;

Frequente as reuniões de condomínio por mais chatas que possam parecer, pois é lá que os assuntos de interesse de todos são discutidos e votados. Quem não comparece fica sem condição de discutir depois;

Evite comentar fatos da vida alheia com qualquer pessoa. Fofocas geram discussões e brigas;

Respeite os empregados do condomínio e o trabalho que eles fazem. Jamais solicite trabalhos particulares em horário de serviço no condomínio;

Barulho só até às dez da noite e depois das oito da manhã. Nesse intervalo, respeite o silêncio;

Se fizer uma festa em seu apartamento e houver barulho, comunique o síndico e os vizinhos com antecedência e lembre-se de compensar a paciência dos vizinhos de alguma forma, como presenteando-os com docinhos ou flores, por exemplo;

Evite andar de salto dentro do apartamento, sobretudo se o isolamento acústico do prédio não for lá essas coisas;

Trafegue com animais e compras somente pelo elevador de serviço. Animais, sempre que possível, devem permanecer no colo, você nunca sabe quem tem pavor de bichos. Caso perceba que a pessoa que entrou no elevador tem medo, segure ainda mais firme seu animal e procure tranquilizar o vizinho;

Se, ao contrário, for você que está entrando no elevador com o cachorro e já tiver algum morador, é gentil perguntar antes se a pessoa se incomoda com a presença do animal;

Jardins, playground e áreas comuns não são quintal de cachorro. Passeios com animais devem ser feitos na rua e, é claro, saquinho na mão para recolher as fezes do bichinho;

Não caia na armadilha de entrar em discussões com vizinhos. Diante de qualquer provocação mantenha-se calmo e comunique o fato ao síndico, que deverá tomar providencias;

Jamais, em hipótese alguma, chame a empregada da vizinha para trabalhar na sua casa;

Faça uma lista com os nomes das pessoas para deixar na portaria quando for usar o salão de festas. Deixe o local como o encontrou após a festa: vazio e com as coisas no lugar. A limpeza fica por sua conta;

Atente para que a decoração do seu hall de entrada não incomode o vizinho (se for um hall comum). Idealmente, é sempre melhor tentar fazer alguma coisa em conjunto. Convidar para um cafezinho e sondar as preferências do outro costuma funcionar;

Sempre devolva o carrinho de compras do prédio ao local em que fica disponível a outros condôminos;

Não circule em trajes de banho pelo prédio. Use canga ou equivalente;

Não segure a porta do elevador enquanto conversa;

Quando dois carros se encontram, o que está entrando na garagem tem a preferência;

Estacione dentro de sua faixa na garagem e não use a vaga como depósito.
Fonte As informações são de Julia Baptista, do IG

1 de jul de 2012

Zelador se profissionaliza ao residir fora do condomínio


O zelador, considerado tradicionalmente braço-direito de síndicos e moradores de condomínios residenciais, vem aos poucos deixando de residir nos edifícios de São Paulo. Para José Maria Bamonde, gerente de relações humanas da Lello Administração de Imóveis, especializada em condomínios, esta é uma realidade, principalmente nos empreendimentos mais recentes.
Um balanço realizado pela Lello, 15% dos cerca de 1,100 condomínios gerenciados pela empresa na cidade de São Paulo o zelador apenas trabalha no horário comercial e mora em outro lugar. "Isso está cada vez mais comum. Nos empreendimentos novos nem há um espaço destinado para o zelador", explica. Há dez anos apenas 3% a 4% dos condomínios não tinham zelador em tempo integral, morando com a família no local.
Bamonte afirma que boa parte dos condomínios do Grande ABC prefere que o zelador resida fora. "Principalmente a cidade de Santo André, onde 80% dos zeladores não moram com a família no empreendimentos", diz.
Um dos motivos para essa mudança é a necessidade de economia nos condomínios, que, além de pagarem os salários dos zeladores, arcavam com os custos de moradia para o profissional e sua família, incluindo cota condominial, energia elétrica, IPTU, água e outros encargos.
Para Bamonde, com o tempo os síndicos começam a perceber que não havia necessidade de ter um funcionário morando no condomínio em tempo integral. "Muitas vezes, residir no local do trabalho pode ser prejudicial para o zelador e para o condomínio", explica. Segundo ele, muitos profissionais preferem não morar no condomínio para preservar sua vida privada. "Muitas pessoas chamam o zelador fora de hora, e consequentemente, paga-se por isso".
O executivo afirma que o salário não sofre alteração. "Mesmo o condomínio economizando com a ausência do profissional, seu salário não sofre reajustes. Pelo contrário, são os moradores que economizam", acrescenta.

Para o presidente da Aabic (Associação da Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios de São Paulo), José Roberto Graiche, a figura do zelador é primordial nos edifícios antigos. Ele afirma que o empregado precisa se reciclar para se manter no emprego. "Os condomínios exigem cada vez mais profissionais qualificados. Tem alguns que exigem que seus zeladores façam cursos profissionalizantes como combate de incêndio, segurança, encanamento, entre outros".
A grande maioria dos zeladores da cidade é homem, com idade média de 40 anos e Ensino Fundamental completo. Segundo Grache, o salário do zelador varia entre R$ 900 e R$ 1.500.

GERENTE PREDIAL
O presidente da Aabic conta que os novos empreendimentos e nos mais complexos - aquele que têm lavanderia, salas especializadas por exemplo - , as administradoras têm substituído a figura do zelador pelo gerente predial. "Este profissional tem que fazer mais que um zelador, porque ele tem que administrar áreas comuns, como lavanderias, ajudar resolver conflitos. "Por isso, há a exigência de nível universitário. O salário dele pode girar entre R$ 1.000 e R$ 3.000", afirma.
Profissional vê vantagem em morar longe do trabalho
Morar fora do condomínio é sinônimo de liberdade e tempo para a família, afirma Antônio Amoroso Filho, 56, que trabalha como zelador há 13 anos.
Ele afirma que ter paz no fim de semana é a melhor vantagem que os empreendimentos podem proporcionar por essa exigência. "Quando se mora no condomínio não temos como negar a um morador a execução de um serviço fora do nosso expediente, mesmo sendo feriado ou final de semana", explica.
Filho comenta que para ser um bom profissional e agradar a todos - mesmo morando longe - é preciso ter paciência, ser observador e ter discernimento para agradar a todos. "Tenho que administrar bem meu tempo para não deixar serviço sem fazer. Porque se alguém solicitar terei que trabalhar no final de semana", comenta.
Filho, que começou como porteiro - mas nas horas vagas agia como zelador - afirma que o profissional tem que saber um pouco de tudo, como hidráulica, alvenaria, parte elétrica, por exemplo. "Sempre que posso faço cursos. Já fiz sobre zeladoria, da Cipa, primeiros socorros, liderança. O profissional tem que ser polivalente", conta.
Fonte:www.dgabc.com.br